Talvez ande me sentindo só demais.
Como se nada mais tivesse razão de ser, só a solidão em que me enclausuro. Tento ler alguma coisa, mas é sempre insuficiente. Os livros, que sempre foram melhores amigos do que os melhores amigos, parecem Não conseguir me dizer o que preciso saber, e isso é novidade.
Acho que tenho mania de perseguição.
Não só porque me sinto só, mas porque penso que todos, de alguma forma, me desprezam.
Na verdade, Não necessariamente desprezam, mas depreciam. Ou será que sou eu que me deprecio?
Por que vejo nos outros a esperança do que deveria ser, do que poderia ser, do que Nunca seria?
Penso que Não.
Sempre penso que Não.
O sim e um figurante, um amigo distante a quem nunca mais dei meus préstimos
Penso sempre que a superação é alheia, não minha. Me superar é fácil, só Não para mim.
Acho que realmente me sinto só.
O que Não é necessariamente ruim
mas Não é simples assim
Exaltar o ócio ou a ausência dele, só me elucidam que o que sinto é abstrato.
Não escolho mais as minhas palavras, Não tento causar falsas impressões.
Não ando mais pela sombra, mas tambem Não ando nos holofotes.
Talvez, o meu destino seja apenas esse:
Ou talvez seja esse:
Quem sabe esse:
Ou, preferencialmente, esse:
Ou Não
Tenho medo de acabar, de me acabar.
De que meu tudo se torne nada e meu nada se torne meu universo
Tenho medo de que me achem ruim
Tenho muito mais medo de desagradar qualquer pessoa do que parece
Não sorrio mais em vão.
Mas deveria.
Sinto que me incomodo
Sinto que incomodo
Sinto que...
Sinto demais. Mais do que é necessário.
Mesmo Fernando Pessoa já sentiu que Não era nada
Que nunca seria nada
Mas jamais abandonou todos os sonhos do mundo
Acho que abandonei
Ou Não
Gostaria de me livrar dessa sensação
Gostaria de Não me incomodar
Gostaria de...
Não sentir.
Não duvidar.
Não temer.
Não sorrir.
Não olhar.
Não ter.
Não ser.

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